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Pedro Baptista de Almeida: Uma filosofia própria Judith Schepkens – Hippo-Revue - Junho 2002 Tradução livre por Cathy Gossieaux
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Desde jovem entre os cavalos
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Nasceu em Coimbra, filho de um grande empreiteiro. Logicamente seguiria os passos do seu pai para gerir a empresa. No entanto, nada pôde detê-lo de passar cada minuto livre com os cavalos, porque desde menino teve um fascinio por eles.
Onde se encontravam cavalos o pequeno Pedro estava. Desde os seus primeiros anos era um expectador muito atento, cheio de esperança de montar um desses animais maravilhosos. Ainda que provavelmente o seu futuro estivesse na empresa familiar – optou pela sua paixão.
Em ‘80 Pedro Baptista de Almeida formou-se como engenheiro e foi imediatemente para a escola Militar de Lisboa. Em ‘82 tirou o curso de instructor em Mafra. Terminou os estudos com distinção em todas as disciplinas, segundo da sua turma. Durante a sua formação fez vários estágios no Instituto Geotécnico de Fonte Boa. Foi durante um daqueles estágios que conheceu o mestre Nuno Oliveira. Pedro de Almeida ficou para sempre um fiel aluno deste mestre, que, junto com o coronel Mathias se tornou no seu maior exemplo.
Desde ‘83 Pedro de Almeida exerceu a função de instructor em Fonte Boa. Noventa cavalos machos de diferentes raças estavam lá sob sua direcção.
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Estudar - ler - olhar - comparar
A diversidade de raças deu–lhe a oportunidade de desenvolver uma ampla experiência. Entretanto, continua a seguir as aulas de Nuno Oliveira com a maior aplicação. Pedro de Almeida continua sempre a trabalhar e estudar muito, e assim aprende a reconhecer os problemas dos cavalos – seja qual for a raça.
Ele ensinou vários cavalos até ao nível de “grand prix”, mesmo cavalos com pouco talento, às vezes até cavalos claramente assimétricos, ou que tinham importantes falhas de conformaçao. Quanto mais diffícil, tanto mais se sente motivado para trabalhar mais – para estudar mais.
Também no tempo livre não poupa os seus esforços, e monta cavalos para diferentes criadores, como Manuel Braga, Marquesa de Tangos, Casalbranco.
Ainda que seja de formação clássica pelo ensino de Nuno Oliveira, adaptou perfeitamente as suas aulas às exigências modernas. Pelo seu grande desejo de saber, nunca parou de ler, estudar, comparar e, sobretudo, pensar. Reunindo a essência de diferentes escolas em combinação com o seu próprio estilo, o mestre Pedro Baptista de Almeida desenvolveu a sua própria maneira de ensinar, que dá provas da sua grande competência pedagógica.
Como fazer funcionar o cavalo?
As aulas começam com a observação da combinação na pista. Pedro de Almeida explica: "Cada cavaleiro – amador ou profissional – tem direito a uma aula adaptada a ele e ao seu cavalo.
Sejam quais forem o nível, a raça, as capacidades ou os problemas da combinação. Para um professor é muito importante ser capaz de ver a origem dum problema – querer solucionar apenas o problema leva a um resultado superficial e de pouca duração – o essencial do meu trabalho é corrigir as assimetrias e levar o cavalo, por meio de exercícios apropriados de flexão e extenção, a utilizar os posteriores com simetria. Podemos compará-lo com ginástica.
Com esses exercícios apropriados fortificam-se as partes fracas, flexibilizam-se as partes rígidas e modelam-se os dorsos. O meu primeiro objectivo é desenvolver os andamentos, a regularidade, a flexibilidade é o equilíbrio de cada cavalo, no seu próprio tipo, na sua própria mecânica. Quero consegui-lo duma maneira progressiva de flexibilização, utilizando exercícios laterais como cessão e espádua a dentro.
A experiência ensinou-me que não adianta forçar o cavalo. Os resultados são melhores com recompensas, por mais pequenos que sejam os progressos. Quando o cavalo não executa o exercício costuma significar que ele ou não o compreende, ou ainda não é capaz de fazé-lo.
Colaboração é o primeiro passo em direcção à solução do problema. O meu objectivo é ensinar ao aluno a fazer funcionar o seu próprio cavalo, e isso com flexibilidade, ligeireza, graciosidade, e ...prazer. O caminho é longo e certamente não é sempre fácil. É preciso estar sempre disposto a encontrar soluções, a aprender e, sobretudo, a ver o cavalo com as suas próprias possibilidades e a tentar melhorá-las. Uma das características dum bom professor é ser capaz de exprimir e transmitir estas coisas, e, sobretudo, ficar idealista."
Conclusão
"O português", como costuma ser chamado amavelmente, trabalha os cavalos com calma e concentração, sem o mínimo traço de qualquer constrangimento ou luta. Com brandura, parece falar com a boca dos seus cavalos. Tudo isso acontece com calma habilidade, em colaboração, e com respeito pela moral do cavalo.
Há alguns anos, começou a dar "clinics" na Bélgica. Actualmente distribui o seu tempo entre belgas, suíços, alemães, austríacos, franceses, holandeses, italianos e .... portugueses. O seu ensino não só é instructivo para os amadores de “dressage clássica”, o qual demostram os seus alunos mais dotados para competiçao nos diferentes países onde dá aulas.
Apesar de trabalhar com muitas raças e tipos diferentes este mestre deseja provar a funcionalidade do cavalo lusitano, e mostrar as suas boas características ao público.
Provar que este cavalo, se for bem utilizado, é capaz de excelentes prestações, e que merece uma melhor reputação que aquela que lhe foi atibuída.
Ainda que Pedro de Almeida se aproxime dos 50 anos, conservou o entusiasmo e o idealismo da sua juventude. Dedica a sua vida aos cavalos, ao estudo, ao ensino, e sobretudo à sua filosofia pessoal, segundo a qual desporto se transforma em arte.
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